O mercado brasileiro da soja segue esperando pela retomada dos negócios na Bolsa de Chicago nesta terça-feira (5) – que serão abertos às 10h30 (Brasília) depois do feriado do Dia da Independência nos EUA – de olho em alguns pontos importantes que podem mexer com os preços nos próximos dias.

Demanda

Um deles, é a demanda. A China permanece comprando em ritmo mais lento do que em anos anteriores, as margens das processadoras são ruins e os estoques de derivados são grandes no país. Mais do que isso, os preços dos óleos vegetais seguem despencando não só na China, mas em todo mercado asiático.

“O óleo de palma tem queda de 7% em dois pregões. Já devolveu toda a alta do ano. Os estoques na Malásia chegam à máxima de sete meses. Na China, a Sinograin, gestora das reservas, anunciou em junho uma rodada de seis leilões de óleo de colza – ou canola. O Ministro da Agricultura chinês espera safra recorde de oleaginosas, podendo passar de 55 milhões de toneladas pela primeira vez”, explica Eduardo Vanin, analista de mercado da Agrinvest Commodities.

Em duas semanas, a China comprou cerca de 20 barcos de soja, quando normalmente estaria comprando 30 por semana para garantir seu abastecimento. A nação asiática – e demais compradores – seguem pulverizando suas compras e buscando efetivar seus negócios onde os preços estão mais atrativos e o Brasil agora se mostra como uma alternativa interessante.

Clima nos EUA

Ao lado da demanda, o clima no Corn Belt é o principal fundamento que está no radar dos traders. Os últimos dias foram de boas chuvas em regiões importantes de produção, como o estado de Illinois, partes de Iowa, Indiana e demais áreas, o que poderia ter promovido certa melhora nos campos norte-americanos.

“E este fato pode ser apelo limitante de corrida altista em Chicago para esta semana”, afirma Vlamir Brandalizze, consultor de mercado da Brandalizze Consulting. “O quadro mostra que o clima traz temperaturas dentro do normal, mas com indicativos de que nesta terça teremos mais de 38ºC em Iowa e também temperaturas bem elevadas em Illinois, mas ainda sem grandes problemas, já que a safra ainda está no início do florescimento”.

Os últimos mapas do NOAA, o serviço oficial de clima dos EUA, mostram que, para o período de 10 a 14 de julho, as temperaturas deverão ficar acima da média em todo o cinturão produtivo, enquanto as chuvas deverão ficar dentro da média para os principais estados produtores.

Fonte: Notícias Agrícolas